Aproximações às vicissitudes e superações do trabalho do Agente Comunitário de Saúde.

Raqueli Braga Flumian, Luciana Nogueira Fioroni

Resumo


O modelo de cuidado da Estratégia de Saúde da Família pautado no papel do Agente Comunitário de Saúde (ACS), desafia refletir sobre as condições de trabalho e a saúde deste trabalhador. Destacam-se as diversas fontes de desgaste e sofrimento no trabalho e a insuficiência de métodos de apoio a esse trabalhador no seu cotidiano. Considerando esta fragilidade, investigamos o trabalho de 8 agentes comunitários de saúde a partir da Técnica de Grupo Focal, buscando conhecer e analisar as fontes e tipos de sobrecargas provenientes da atividade laboral, as condições de trabalho, o vínculo empregatício, a formação e o papel chave deste trabalhador na Atenção Básica. O corpus de análise consistiu da transcrição de seis sessões de grupo focal. Como produto destacamos sete núcleos de sentidos organizados a partir de quatro eixos temáticos: Vitaminas (motivações para exercer seu papel profissional), Espinhos (dificuldades para exercer o trabalho), Frutos (resultados observados e valorizados decorrentes do trabalho) e Ferramentas (instrumentais utilizados). Destacaram-se a relevância da estabilidade; o maior reconhecimento do uso de tecnologias leves (vínculo afetivo) do que o êxito técnico do trabalho, que está vinculado a uma ação secundária do ACS originada no procedimento médico; o duplo vínculo com a comunidade (morador e profissional de referência) tensiona a identidade do ACS. A identificação das fontes de sofrimento possibilitou problematizar localmente os efeitos para a saúde mental do trabalhador e para a qualidade do trabalho realizado. Ratificamos as potencialidades do Grupo Focal como estratégia de investigação e intervenção na atenção básica.

Palavras-chave


Saúde do trabalhador; Grupos focais; Agentes comunitários de saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v11i2.2026



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