Unidades Básicas de Saúde em Teresina-PI e o acesso da população LGBT: o que pensam os médicos?

Edson Oliveira Pereira, Breno de Oliveira Ferreira, Gabriella Sorgatto do Amaral, Camila Vital Cardoso, Claudio Fortes Garcia Lorenzo

Resumo


Este estudo teve como objetivo investigar a percepção de médicos de Unidades Básicas de Saúde de Teresina, considerada uma das mais homofóbicas capitais brasileiras, sobre o acesso e qualidade da atenção à população LGBT. Trata-se de uma análise qualitativa de discurso sobre entrevistas semiestruturadas com profissionais médicos de sete unidades de saúde selecionadas por sorteio entre as 22 existentes na cidade e fundamentada no método hermenêutico-dialético. Quatro principais categorias analíticas emergiram: 1. Percepção confusa entre universalidade e equidade, 2. Patologização e percepção de anormalidade na condição, 3. Negação de barreira ao acesso e imputabilidade da ausência de procura do serviço aos próprios sujeitos, e 4. Baixa demanda do grupo LGBT ou invisibilidade da condição. Conclui-se que um dos principais desafios à implementação da política nacional de saúde dirigida a esta população continua sendo os estigmas e preconceitos incorporados nas subjetividades dos profissionais, os quais dificultam a compreensão de direitos e as razões da existência de políticas compensatórias.

Palavras-chave


Identidade Sexual; Políticas Públicas De Saúde; Equidade Em Saúde; Homossexualidade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v11i1.1812



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