Internações evitáveis por Atenção Primária em menores de cinco anos nas macrorregiões de saúde de um estado nordestino: comparação entre os triênios 2000-02 e 2010-12

David Maia Rocha, Elzo Pereira Pinto Junior, Líllian de Queiroz Costa, Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Resumo


O Ministério da Saúde lançou em 2008, a Lista de Condições Sensíveis à Atenção Primária, que abrange 19 grupos de diagnósticos considerados sensíveis à Atenção Primária a Saúde. Objetivou-se analisar o comportamento das Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária em crianças menores de cinco anos nas macrorregiões do Ceará, comparando os triênios 2000-02 e 2010-12. O estudo foi do tipo ecológico longitudinal, onde regiões do estado do Ceará foram observados e comparados ao longo de dois triênios, 2000-2002 e 2010-2012. A população foi composta por indivíduos com idade inferior a cinco anos de idade hospitalizados na rede conveniada ao SUS, no período entre 2000-2002 e 2010-2012. O grupo das gastroenterites infecciosas e complicações foi o mais frequente das internações em todas as faixas etárias, com 33.371 (53,12%), 47.328 (43,93%) e 80.699 (47,31%), respectivamente, em menores que um ano, entre um a quatro anos e menores que cinco anos. A asma e as pneumonias bacterianas ficaram em segunda e terceira causa, respectivamente, para a faixa etária de um a quatro anos com valores de 31164 (28,92%) para asma e 16832 (15,62%) para pneumonias bacterianas. Observou-se redução na participação relativa das gastroenterites infecciosas e asma, em menores de um ano. A análise das taxas de internação por Condições Sensíveis à Atenção Primária é de grande importância, uma vez que é possível comparar o traçado de uma progressão das taxas de internações durante anos com a implementação das assistências à saúde, gerando informações que serão essenciais para a gestão em saúde.

Palavras-chave


Hospitalização; Atenção Primária à Saúde; Criança

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v11i4.1980



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