Perfil de estudantes acompanhados por um serviço de educação inclusiva do sertão baiano

Isabel Dielle Souza Lima Pio, Deuzilane Muniz Nunes

Resumo


Buscou-se conhecer o perfil clínico-epidemiológico de alunos com problemas de aprendizagem e/ou comportamento acompanhados pelo Núcleo de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação e Esportes (NEI/SEDUC) de Juazeiro-BA. Analisaram-se também as concepções dos familiares sobre o diagnóstico e tratamento destas condições. Realizou-se a pesquisa em duas etapas. Primeiramente coletaram-se os dados dos estudantes através das fichas cadastrais preenchidas pelos profissionais do Núcleo. Na segunda fase, realizou-se uma entrevista semiestruturada com 04 cuidadores de alunos que possuíam suspeita ou diagnóstico de pelo menos um dos transtornos identificado na primeira fase. Foram analisadas 62 fichas, detectando-se maioria masculina (71,12%) e idade média de 13,71 ± 7,59 anos. Os estudantes residiam majoritariamente na zona urbana. A metade dos alunos não possuía diagnóstico concluído e um terço não realizava acompanhamento médico. Os problemas mais citados foram Transtorno do Desenvolvimento das Habilidades Escolares (22,6%), Retardo Mental Moderado (8,1%), TDAH (4,8%) e Dislexia (4,8%). O uso de medicamentos ocorreu em 43,6% dos alunos com maior frequência de antipsicóticos (40%) e antiepilépticos (34,29%). As entrevistas apontaram questões importantes para o diagnóstico, como a fala, a baixa interação social e o desempenho escolar. O destaque para o setor da Atenção Primária como partida no itinerário terapêutico demonstra seu potencial reestruturador das atividades do Sistema Único de Saúde. Esse estudo traz subsídios para construção de estratégias intersetoriais para a saúde e educação municipal.

Palavras-chave


Transtornos de Aprendizagem; Saúde Escolar; Saúde da Criança; Saúde do Adolescente

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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v11i3.2008



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