Ensino da língua portuguesa para migrantes internacionais: primeiro passo para o alcance dos direitos humanos

Autores

  • Kelly Karoline Ferreira de Moraes Universidade Federal de Uberlândia
  • Ângela Isotton
  • Dayane Cristine Silva
  • Vivianne Peixoto UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v14i3.2863

Resumo

Apesar da Constituição Federal de 1988 e do ineditismo da recente Lei da Migração, vigente no país desde 2017, nas quais estão estabelecidos os direitos sociais garantidos a migrantes internacionais residentes no país, verifica-se na prática a violação de direitos e não inclusão dessa população em sua totalidade. Dentre as barreiras estão as dificuldades linguísticas e culturais que os colocam em situação de vulnerabilidade. Objetivou-se com o estudo retratar a prática do ensino de português para refugiados e imigrantes residentes na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, e, fomentar discussões sobre a necessidade de políticas que envolvam a temática “Educação e Migração”. Tratou-se de um estudo de caso, tendo como campo de estudo uma Organização não governamental. Utilizou-se de observações de aulas de português para estrangeiros e, análise dos relatórios de professores, no período de outubro de 2016 a junho de 2018. Os resultados apontaram: dificuldades em lidar com questões culturais e religiosas em sala de aula, êxito na reorientação logística das aulas próximas à residência dos imigrantes, confecção de material pedagógico adequado ao público-alvo e, necessidades extralinguísticas apresentadas pelos migrantes, principalmente ligadas à inserção pelo trabalho. Concluímos que apesar da atuação e importância das ações não governamentais faz-se primordial a atuação efetiva do Estado como responsável pelos imigrantes residentes no país, como prevê a legislação brasileira. Frente às dificuldades linguísticas, acreditamos que o ensino do português é uma forma de acolhimento para migrantes internacionais, como primeiro passo para o alcance dos direitos humanos, carecendo de políticas públicas educacionais que os envolva.

Biografia do Autor

Vivianne Peixoto, UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

Pós-doutora, doutora e mestra em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Especialista em Ergonomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e graduada em Fisioterapia. Linha de pesquisa: Saúde Coletiva; Política, planejamento e gestão, Saúde do Trabalhador, Migração, Saúde e Trabalho. Líder do grupo de estudos e pesquisa em Migração, Saúde e Trabalho (MIGRAST) pelo CNPq. Docente da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

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Publicado

2021-05-31 — Atualizado em 2021-06-17

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Seção

ARTIGOS ORIGINAIS