Graduação em Saúde Coletiva: conquistas e passos para além do sanitarismo

Autores

  • Jairnilson Silva Silva Paim Professor Titular em Política de Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.
  • Isabela C.M. Pinto Professora Adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Coordenadora do GT de Trabalho e Educação na Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

DOI:

https://doi.org/10.18569/tempus.v7i3.1390

Palavras-chave:

Graduação em Saúde Pública, Saúde Coletiva, Sanitarismo, Profissional da Saúde, Identidade Profissional.

Resumo

A graduação em Saúde Coletiva surge de um campo de saber e práticas, distinto da saúde pública institucionalizada, e coloca em debate várias questões. Atualmente, o debate tem girado em torno da carreira do sanitarista, da regulamentação da profissão e da sua inserção no mercado de trabalho. Com o objetivo promover uma discussão sobre tais questões, incluindo a identidade profissional, a formação de sujeitos e os campos de estágio, o presente artigo analisa, criticamente, a construção desse campo científico e âmbito de práticas e suas relações com a constituição de sujeitos transformadores, comprometidos com a Reforma Sanitária Brasileira e com a consolidação do SUS. Argumenta que a identidade p ofissional é construída em processos contraditórios, não lineares, e que o mercado de trabalho não é dado a priori, mas é o resultado de lutas e da correlação de forças políticas e ideológicas que disputam o poder no âmbito da saúde. Reconhece que a Saúde Coletiva já dispõe de um acúmulo científico, histórico, conceitual, teórico, epistemológico, metodológico, técnico e operacional para sustentar um processo de profissionalização, mas problematiza a criação de um conselho específico. Ressalta que o trabalho do profissional de Saúde Coletiva apresenta dimensões técnica, econômica, política e ideológica radicadas em valores de solidariedade, emancipação, igualdade, justiça e democracia, distintos da Saúde Pública subalterna aos centros hegemônicos. Assumindo a centralidade da crítica, conclui que a Saúde Coletiva pode reorientar a sua práxis para além do sanitarismo, como resultado da radicalidade do próprio campo.

Biografia do Autor

Jairnilson Silva Silva Paim, Professor Titular em Política de Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.

Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1972) e mestrado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1975). Doutorado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (2007). É professor da Universidade Federal da Bahia desde 1974 e Professor Titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia desde 2000. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, atuando principalmente nos seguintes temas: Política de Saúde, Planejamento em Saúde, Reforma Sanitária Brasileira e Sistema Único de Saúde.

Isabela C.M. Pinto, Professora Adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Coordenadora do GT de Trabalho e Educação na Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Professora Adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (1991) e doutorado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2004). Atualmente é Coordenadora do GT Trabalho e Educação na Saúde da ABRASCO.Tem experiência na área de políticas sociais, com ênfase em Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: processo decisório, ciclo de política, gestão, avaliação, políticas públicas e política de saúde, gestão do trabalho e da educação na saúde, recursos humanos em saúde.

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Publicado

2013-11-02