DESAFIOS À AMPLIAÇÃO DA COBERTURA DA FLUORETAÇÃO DA ÁGUA EM MUNICÍPIOS BRASILEIROS COM MAIS DE 50 MIL HABITANTES NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XXI

Angelo Giuseppe Roncalli, Luiz Roberto Augusto Noro, Celso Zilbovicius, Helenita Corrêa Ely, Helder Henrique Costa Pinheiro, Paulo Capel Narvai, Paulo Frazão

Resumo


Embora a fluoretação da água de abastecimento público seja um importante determinante para explicar o declínio da cárie dentária nos países que implementaram sua provisão, é grande o desafio para assegurar sua expansão para todas as regiões e territórios. O objetivo do estudo foi determinar as características dos municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes correlacionadas com a cobertura da fluoretação da água. Estudo ecológico transversal com 614 municípios cujo desfecho é representado pela cobertura populacional da política pública e as variáveis independentes referem-se a indicadores municipais socioeconômicos, de saneamento e de serviços de atenção primária à saúde. As relações foram analisadas por meio de regressão linear múltipla. Na análise ajustada (R2=0,39), a cobertura populacional correlacionou-se positivamente com a renda familiar per capita e negativamente com desigualdade da renda, água e esgoto inadequados, cobertura potencial da saúde bucal na estratégia saúde da família. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste (R2=0,33), analfabetismo e nível de desenvolvimento humano mostraram correlação positiva, enquanto desigualdade de renda e saneamento inadequado apresentaram correlação negativa. Já nas regiões Norte e Nordeste (R2=0,40), saneamento inadequado e nível de desenvolvimento humano mostraram correlação negativa. As desigualdades na expansão dos serviços de saneamento e dos sistemas de vigilância da concentração do fluoreto entre as regiões brasileiras trazem importantes desafios nas próximas décadas que vão requerer sua inclusão na agenda regulatória dos respectivos setores e a implementação de mecanismos de coordenação intersetorial da política pública.

Palavras-chave


Política Pública, Saúde Bucal, Fluoretação

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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v14i1.2668



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