Assistência a população LGBT em uma capital brasileira: o que dizem os Agentes Comunitários de Saúde?

Rita de Cássia Passos Guimarães, Edu Trute Cavadinha, Ana Valéria Machado Mendonça, Maria Fátima Sousa

Resumo


O objetivo deste estudo é compreender a percepção dos Agentes Comunitários em Unidades Básicas de Saúde quanto ao atendimento integral da população LGBT. O método utilizado para analisar as entrevistas foi o Discurso do Sujeito Coletivo. Três discursos foram construídos relacionados a três ancoragens distintas que demonstram os seguintes resultados: 1. Minimização do problema, negação do preconceito e compreensão de barreiras como causadas pela própria população LGBT; 2. Negação da existência de barreiras ao acesso e qualidade; e 3. Reconhecimento da existência de preconceitos que funcionam como barreiras e da necessidade de melhor capacitação das equipes. A partir destes resultados foi possível inferir a negação do sexismo e das barreiras simbólicas, incompreensão do sentido de equidade, e o preconceito encarnado nas subjetividades destes profissionais, de forma semelhante ao que já foi encontrado em outros estudos envolvendo preconceitos e saúde, tais como de racismo institucional. No entanto, percebe-se também profissionais sensibilizados para a questão do respeito à diversidade e receptivos a processos formadores para melhor oferta de cuidado integral a população LGBT.

Palavras-chave


Equidade no Acesso; Política de Saúde; Sexismo; Atenção Primária à Saúde;

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DOI: http://dx.doi.org/10.18569/tempus.v11i1.2327



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